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Ao longo do último ano os valores praticados com a compra/venda de uma habitação em Luanda diminuíram, em resultado do aumento das áreas de construção. Simultaneamente, assistiu-se a um redireccionar, por parte dos promotores imobiliários, da oferta para produtos imobiliários habitacionais destinados aos segmentos de mercado mais baixos.
A par da óbvia necessidade social, esta tem-se revelado uma excelente oportunidade de negócio. Estas são algumas das principais conclusões do "Estudo de Mercado Imobiliário Luanda 2009 - Habitação e Escritórios", realizado pelas consultoras ProPrime e Progest Angola, apresentado durante o 3.º Fórum de Imobiliário, Urbanismo e Arquitectura de Angola e Mostra Imobiliária de Luanda.
O evento reúne os principais profissionais do sector, bem como arquitectos, engenheiros, investidores, nacionais e estrangeiros, e entidades públicas, na discussão sobre as melhores práticas arquitectónicas, as novas tecnologias e as técnicas utilizadas na construção e o desenvolvimento recente trilhado por Angola neste domínio.
A certeza de que a economia do país continuará a crescer, a par do anúncio do programa estatal de construção de um bilião de novos fogos, potencia o desenvolvimento do mercado imobiliário. Mas, não obstante a evolução registada, este ainda se caracteriza por um forte desequilíbrio entre a oferta e a procura e pelos altos preços praticados.
Analisando os últimos doze meses, é possível constatar "um maior profissionalismo e crescimento dos operadores imobiliários, para além de algemas mudanças vividas nos diferentes segmentos", refere Nelson Rêgo, director geral da ProPrime e coordenador do estudo. "Ao passo que no mercado imobiliário prime se verifica uma maior estabilidade dos preços praticados e um maior tempo de exposição dos produtos no mercado - quando há sensivelmente um ano as habitações eram todas comercializadas ainda em fase de projecto - no segmento médio/médio baixo verifica-se um grande desenvolvimento no número de projectos em execução, os quais, são promovidos tanto pelas entidades públicas como por interesses privados, o que reflecte a existência de novas oportunidades de negócio", constata Nelson Rêgo.
Só neste segmento estão em fase de arranque mais de 300 mil m2 de novas construções. Mas Luanda ainda é uma cidade cara. No que se refere à oferta de apartamentos, verifica-se uma média de valores unitários por m2 de cerca de 4.150 USD/m2, muito perto dos 4.500 USD/m2 praticados em 2008. De acordo com o estudo, o preço do m2 sobe nas Ingombotas, onde um T3 pode chegar aos 1.200.000 USD. A mesma tipologia pode ser adquirida na Camama ao preço de 365 mil USD.
"Pudemos constatar também que os valores unitários, em termos gerais, descem proporcionalmente em função do aumento das áreas de construção. Existem algumas excepções, sendo a mais explicita a que se verifica em Luanda Sul, onde um apartamento T4 pode atingir um valor médio de cerca de 4.200 USD/m2, em detrimento de um de tipologia T3 que pode situar-se num patamar de 3.900 USD/m2", lê-se no estudo.
Já no que concerne à oferta de moradias, a análise concentra-se apenas em duas localizações, Talatona e Benfica, em virtude do reduzido número de amostras. Assim, é em Talatona que o valor unitário médio por m2 de área bruta de construção é mais elevado, podendo atingir os 5.641 USD. Uma moradia com quatro quartos pode custar 2.400.000 USD. A mesma tipologia em Benfica custa menos 400 mil dólares.
Trabalhar sai caro em Luanda
Mas se adquirir uma habitação na capital ainda sai caro, alugar ou comprar um escritório é ainda mais oneroso. O forte crescimento da economia do país nos últimos anos atraiu a Angola, e especialmente a Luanda, empresários dos quatro cantos do globo. O aumento da procura e a fraca oferta existente na capital geraram uma clara subida dos valores praticados. Actualmente, não existe uma taxa de desocupação, pelo que todo o espaço é absorvido. Segundo as estimativas da ProPrime, "a necessidade de escritórios em Luanda deverá cifrar-se em cerca de 1.000.000 de m2". Não é, pois, de estranhar que os preços praticados actualmente façam de Luanda uma das cidades mais caras do mundo.
Os valores mais altos praticados neste segmento registam-se na Baixa de Luanda, o 'Central Business District' por excelência da cidade. O valor unitário médio por m2 de um escritório novo nesta zona ronda os 11.647 USD. Este valor desce em Luanda Sul (zonas de Talatona e Benfica) para os 8.333 USD, ao passo que nas zonas periféricas da Baixa de Luanda o valor médio por m2 desce ate aos 6.947 USD.
Os preços praticados na aquisição de espaços usados são, comparativamente, um pouco mais baixos. Na zona da Baixa de Luanda o valor unitário médio por m2 ronda os 6.600 USD, o que equivale, ainda assim, a uma renda média por m2 de ABL de 100 USD. Talvez pelo facto destes espaços serem bastante escassos nas zonas de Talatona e Benfica, aqui uma renda média por m2 de ABL sobe para os 110. Uma vez mais é nas zonas periféricas da Baixa de Luanda que encontramos os espaços mais baratos, com a renda média por m2 de ABL na ordem dos 75 USD.
Data: 09-05-2009
Fonte: Prime Yield / Proprime / Novo Jornal
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